sexta-feira, 6 de abril de 2012

Alunos da Medicina da UFRJ em Macaé em Greve: ou como diria Eder Sader, novos personagens entraram na cena!

Os alunos chegaram ao limite da credulidade, diante de problemas de implantação, que apesar de esforços e mais esforços, vêm barrando ou ofuscando o futuro. O sofrimento individual do estudante vazou para a criação do sujeito coletivo que faltava, os alunos da medicina, a depressão e a angustia cedeu espaço para a potência! Esta potência é contagiosa e produziu o sentimento e o disparo de outro sujeito coletivo: o corpo docente. O professor também andava pelos cantos em seu sofrimento e falta de perspectiva, pois antes dos alunos, este pela sua experiência já imaginava o déficit de futuro. O movimento dos alunos funcionou como um dispositivo potente que nos tirou a todos de nossos lugares, da docência, da coordenação de curso, do campus e da reitoria, talvez quem sabe até dos lugares dos gestores da municipalidade.

Diante de problemas complexos, como a crise do SUS, o mercado de trabalho médico e suas configurações atuais que vêm sendo desenhadas nos últimos 40 anos, bem como a oferta e os recuos nas políticas públicas em todos os âmbitos da gestão do país, temos poucas alternativas.

Vemos em meio à crise duas posturas possíveis: 1) encarar de frente o problema e humildemente reconhecer que possuímos um déficit de análise, que não temos ferramentas analíticas suficientes e que precisamos agenciar recursos para descrever e aprofundar o problema, para assim tentar fabricar soluções que nos devolvam o status de “portar futuros viáveis” e; 2) eliminar o problema, buscar a construção de sujeitos morais atribuíveis do fracasso e simplificar a questão, onde o problema é como “se livrar” do problema e mesmo reconhecendo que existe uma crise, se mostrar perplexo pela sua aborrecedora existência.

Falando um pouco da política universitária e decisões tomadas. Não é segredo para ninguém o nível de alinhamento político que sempre demonstrei e apostei em relação ao nosso estimado Reitor. Quando eu e um bocado mais de gente apostou nessa reitoria é porque tínhamos a noção de que esta era a possibilidade e fora dela não haveria, seria já há algum tempo produzida a obstrução do futuro.

Quando assumimos a decisão de deixar a coordenação do curso de medicina, o fizemos para produzir a articulação direta entre os atores que podem produzir saída para a crise e abdicar de manter a sua contenção. Estamos, e mais precisamente falando em primeira pessoa, estou onde sempre estive: comprometido com nossos alunos, com os colegas docentes e servidores envolvidos, com a política pública de expansão e com nossa UFRJ, a qual tenho de diversas formas participado desde 1980, e manifesto que o arranjo atual constituído é insuficiente, ou seja, como estamos, com nossa estratégia de formular pequenas soluções ponto a ponto, de esperar a generosidade do tempo, a mudança na política, os possíveis compromissos futuros, um pequeno acidente histórico ou pequenos milagres.

Mais, que me desculpem os carniceiros de plantão e os profetas da simplificação, mas perdi a fé na solução dos problemas sem novas propostas, sem um novo projeto, mas quero assumir de público que vejo na estatura de nosso Reitor a possibilidade de redesenhar a capacidade analítica e de formulação e não tenho nenhum motivo para não crer que a direção da Faculdade de Medicina possa cumprir seu papel.

Porém, vejo também que o protagonismo assumido pelos alunos é uma alteridade eficaz, legítima e válida e, dada esta condição, é o dispositivo disparador da crise. Ao meu ver, esta é a oportunidade única de fabricação de uma solução que possa ser adequada e viável, seja ela qual for. Este Alter é eficaz para que nos debrucemos sobre nós mesmos e compreendamos  a nossa ineficácia até agora produzida, e com isto quero dizer que todos nós ainda não conseguimos definir com clareza o problema, independentemente dos compromissos que tenhamos.

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